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ACESSIBILIDADE

Central de Interpretação de Línguas

Prefeitura lança serviço para ajudar comunicação de surdos em serviços públicos da cidade

A intenção é promover através da tecnologia, a inclusão das pessoas portadoras da deficiência
Prefeitura lança serviço para ajudar comunicação de surdos em serviços públicos da cidade

 Crédito: Heloisa Ballarini/SECOM

 

A partir de agora, os munícipes surdos, surdocegos e deficientes auditivos da cidade de São Paulo terão mais autonomia e poderão usufruir da nova Central de Interpretação de Libras (CIL). Lançado na tarde desta terça-feira (22) pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, o serviço oferecerá a eles uma mediação na comunicação com quaisquer serviços públicos na capital paulista. 

"Uma administração que se preze olha para a população mais vulnerável. Nós temos que garantir para a pessoa com deficiência o que ela mais precisa, que é a sua autonomia. Isso é papel do poder público promover. São 120 mil pessoas com um grau de deficiência auditiva severa. São 120 mil pessoas que agora vão poder receber na escola, no posto de saúde e na subprefeitura o mesmo tratamento que as pessoas sem deficiência recebem", destacou o prefeito Fernando Haddad durante o lançamento da iniciativa na sede da Prefeitura.

De acordo com o Censo 2010 do IBGE, a capital possui 516 mil pessoas que se autodeclararam com alguma deficiência auditiva. Destes, 120 mil são completamente surdos ou têm grande dificuldade em ouvir. Estimativas atestam ainda para a existência de 250 pessoas com surdocegueira, que apresentam dificuldades para ouvir, falar e enxergar. Para todo esse universo de pessoas, a mediação na comunicação é essencial. 

Instalada na sede da Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, no centro da capital, a CIL atuará de três formas distintas. Na opção “presencial”, o solicitante deverá se dirigir até a central para que um intérprete o auxilie, por exemplo, em uma ligação telefônica a um órgão público. Na modalidade “in loco”, o usuário fará um agendamento prévio, solicitando que um intérprete de Libras ou guia-intérprete (no caso dos surdocegos) se dirija até o serviço público em que ele precise de atendimento –por exemplo, uma consulta em uma unidade de saúde. Ele então se comunicará na língua de sinais com o intérprete, que fará a tradução simultânea para o atendente do estabelecimento e vice-versa.

"Estamos cumprindo uma reivindicação histórica da comunidade surda que vive em São Paulo com a efetivação da CIL e também uma das metas da gestão. A grande barreira que as pessoas com deficiência auditiva enfrentam em suas vidas são as barreiras de comunicação. A Central vai servir justamente para nós rompermos a barreira da comunidade surda com os serviços públicos da nossa cidade", afirmou Marianne Pinotti, secretária da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida. 

Desde maio, as modalidades "presencial" e "in loco"  funcionam em projeto piloto, já responsável pelo atendimento de 121 pessoas. A partir desta terça-feira, o atendimento será oferecido de segunda a sexta-feira (exceto feriados), sempre das 8h às 20h. As solicitações e agendamentos poderão ser feitas pessoalmente ou por telefone, e-mail e whatsapp. 

Em breve, a central prestará também um atendimento virtual, atualmente em processo final de implementação. Por meio dele, qualquer pessoa com um smartphone, um tablet ou um computador com acesso a internet poderá baixar um aplicativo e utilizar a mediação da Central para reportar uma emergência médica, falar com um serviço público ou mesmo se comunicar diretamente por vídeo com outra pessoa usuária de Libras. Além disso, serão instalados totens em todas as subprefeituras para o acesso via vídeo ou texto aos intérpretes da CIL, que farão a mediação entre os funcionários locais e o solicitante.

"É muito positivo a central da prefeitura estar utilizando uma tecnologia que outros países utilizam. Essa tecnologia traz acessibilidade para que as pessoas surdas consigam intérpretes de libras para apoiá-las. Isso é acessibilidade. Isso significa autonomia e liberdade da pessoa da comunidade surda, que não vai mais precisar depender de outras pessoas", reforçou Ana Regina Campello, da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. Deficiente auditiva, ela se dirigiu à plateia do evento de lançamento já por meio do serviço virtual oferecido pela CIL. 

"Essa tecnologia é muito interessante. O surdo agora tem voz, literalmente. Isso dará muito mais independência a ele", afirmou Antonio Ferreira, secretário nacional de Promoção dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

A implantação da central é uma parceria com o governo federal, que forneceu à Prefeitura um carro para o atendimento “in loco”, computadores, impressora e mobiliário. A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida está investindo cerca de R$ 6,9 milhões com equipamentos e contrato com uma empresa licitada por 24 meses que fornece 18 intérpretes de Libras, três guias-intérpretes, dois profissionais surdos, além de tecnologia e equipe administrativa.

Após o lançamento da Central, o prefeito Haddad acompanhou a apresentação da banda Música do Silêncio, formada por crianças e jovens com deficiência auditiva da Rede Municipal de Ensino. 

 

Mobilidade e segurança

O prefeito aproveitou o lançamento da Central de Interpretação de Libras (CIL) para comentar uma pesquisa sobre Mobilidade Urbana, divulgada nesta terça-feira, Dia Mundial Sem Carro, pela Rede Nossa São Paulo e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A pesquisa ouviu 700 moradores da cidade de São Paulo com 16 anos ou mais, entre os dias 28 de agosto e 5 de setembro.

De acordo com o levantamento realizado pelo Ibope, 90% dos entrevistados são a favor de construção de faixas e corredores de ônibus; 59% aprovam a construção e a ampliação de ciclovias e ciclofaixas; 64% se declararam a favor da utilização exclusiva de ruas e avenidas para lazer e circulação de pedestres e ciclistas aos domingos e 43% se mostraram a favor da redução de velocidade máxima nas vias da cidade - todas iniciativas e políticas públicas implementadas pela Prefeitura nesta gestão.

"Nós temos mais de mil mortos e 28 mil feridos por ano na cidade de São Paulo [por conta de acidentes de trânsito]. Uma boa parte dos feridos são pessoas hoje com mobilidade reduzida. Muitos desses vitimados estão hoje em cadeira de rodas ou aguardando uma cirurgia, uma prótese, uma órtese. [A implementação dessas políticas] se combina com o que está sendo anunciado hoje aqui, que é esse programa de mediação voltado para a pessoa com deficiência auditiva. Isso se harmoniza com o que está sendo feito no sentido de humanizar São Paulo, de criar uma cidade mais aprazível e que recebe melhor as pessoas", disse.