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Pesquisadores da USP agregam ferramentas tecnológicas para ampliar monitoramento na prevenção e ajudar tomada de decisões

Redes sociais são aliadas na previsão de catástrofes ambientais

  O potencial das redes sociais vai muito além dos relacionamentos interpessoais: elas podem ajudar, inclusive, a monitorar e até mesmo prever catástrofes ambientais.

  Foi com esse propósito que uma equipe de cinco pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, criou uma técnica computacional capaz de entender como publicações no Twitter conseguem representar fenômenos naturais, no caso, chuvas e enchentes.

  Liderada pelo professor João Porto de Albuquerque, a equipe tem como principal objetivo amplificar as áreas de monitoramento, para, no futuro, conseguir prever acidentes. Durante as pesquisas, foram analisados quase 16 milhões de “tuítes” – o que permitiu descobrir que esse tipo de análise de dados pode ser usado como método de prevenção e melhorar os sistemas de alertas já existentes, como é o caso das notificações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Climatempo.

  De acordo com Sidgley Camargo de Andrade, doutorando do ICMC e um dos pesquisadores do projeto, o monitoramento das chuvas é feito por pluviômetros, radares meteorológicos e satélites. Por serem de alto custo, esses instrumentos possuem limitações em sua cobertura espacial. Além disso, a manutenção desses sensores físicos tem de ser regular.

  “Hoje existem cerca de cinco mil desses sensores no Brasil. Em São Carlos, existem três, mas só um funciona. Se chover forte em alguns desses pontos onde os sensores estão quebrados, não há informação a ser registrada. Então, é vantajoso monitorar dados de publicações do Twitter”, esclarece Andrade. Ele também explica que as pessoas publicam de vários lugares, portanto, o monitoramento humano é feito de forma distribuída – e tudo isso com um custo baixíssimo.

  Um dos desafios do projeto é encontrar uma correlação de dados entre os sensores físicos e os sensores humanos, já que eles são estimulados de formas diferentes. Ou seja, a principal dificuldade é conseguir transformar os dados qualitativos de um tuíte em dados quantitativos – para isso, os pesquisadores tiveram que criar critérios de avaliação. Um dos critérios utilizados é a frequência de palavras-chaves como chuva e tempestade. Um outro critério são as ponderações de regiões. Ou seja, notou-se que regiões centrais “tuitavam” mais do que regiões periféricas, o que aumentava o volume de dados.

  Com os estudos dessa relação entres os dados dos sensores, foi possível descobrir também que existe um tempo de reação de ambos em relação ao fenômeno, que pode variar de 10 minutos antes do acontecimento até 10 minutos depois. “As pessoas costumam publicar suas expectativas em relação ao clima, então, elas podem postar que o tempo está fechando, por exemplo, e esse mecanismo ajuda a identificar possíveis indícios de que algo vai acontecer”, explica Andrade.

  De acordo com os autores, o Twitter é a melhor rede social para esse tipo de análise. Segundo eles, a coleta de dados da rede é mais simples do que a do Facebook, por exemplo. A principal função do Twitter é publicar mensagens curtas, o que facilita esse recolhimento de informações. Além disso, a rede possibilita que as contas de outras redes sociais sejam sincronizadas e essa ferramenta não é possível no Facebook.

Todas as ferramentas possíveis

  A fim de contribuir para esse sistema de prevenção e alerta, pesquisadores da USP criaram no início deste ano o e-Noé, uma rede de sensores sem fio para monitorar rios e córregos urbanos.

  O dispositivo, já em operação, é formado por um conjunto de sensores submersos instalados em vários pontos do rio sujeitos a alagamentos. Conectados entre si por uma rede sem fio, esses sensores detectam alterações na altura da coluna d’água.

  Paralelamente, câmeras fotografam o leito do rio, registrando o nível das águas. As imagens e as informações dos sensores são enviadas por sinal de celular para uma infraestrutura de nuvem, onde são acessadas pela Defesa Civil da cidade.

  “Diferentemente da hidrometria convencional, em que os dados só são coletados quando o usuário vai até a estação para extraí-los, numa rede de sensores sem fio, como a nossa, as informações são transmitidas em tempo real para os interessados. O próprio sistema pode emitir automaticamente alertas de enchentes”, afirma o cientista da computação Jó Ueyama, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos e coordenador do projeto.

  “É um hardware para uso próprio. Não está à venda, mas comercializamos os serviços de monitoramento, alertas e previsões de inundações”, esclarece o engenheiro eletricista Flavio Conde, coordenador do Sistema de Alerta a Inundações de São Paulo (Saisp). “Assim como a nossa tecnologia, o sistema da USP pode ser interessante para a detecção de inundações por ser de fácil implantação.”

 

Fonte: Portal do Governo